segunda-feira, 27 de abril de 2026

Revolução verde no Cerrado: novas cultivares de forrageiras garantem pastagens produtivas

 


Por Marcelo Ayres Carvalho, pesquisador da Embrapa Cerrados.

 

A pecuária moderna e eficiente exige uma mudança de paradigma urgente: abandonar práticas e tecnologias ultrapassadas para adotar o rigor técnico e agronômico e assim tratar a pastagem como uma lavoura.

O alicerce dessa transformação é a atualização das cultivares de forrageiras, substituindo capins obsoletos por cultivares modernas disponíveis no mercado. Esse novo conjunto de cultivares elite eleva o teto produtivo da pastagem, entregando maior resistência a estresses abióticos, como tolerância a cigarrinhas e à seca, por exemplo.

Na prática, a adoção dessas cultivares melhora a produtividade do pasto, a eficiência de pastejo, aumentando a taxa de lotação e o ganho de peso animal. O resultado é a maior produção de carne e leite e, consequentemente, melhor rentabilidade do negócio.

Essa mudança se torna ainda mais estratégica nesse momento em que o país implementa o Programa Caminho Verde Brasil, uma iniciativa do Governo Federal, coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. O objetivo é recuperar 40 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas em dez anos, unindo produção agropecuária sustentável, uso de tecnologias modernas e acesso a crédito facilitado para produtores, para evitar a abertura de novas áreas pelo desmatamento.

Essa é uma oportunidade para que inovações tecnológicas, representadas pelas modernas cultivares de forrageiras, sejam amplamente adotadas e utilizadas.

 

O paradigma da pecuária

Enquanto o rebanho evoluiu com tecnologias como inseminação artificial em tempo fixo (IATF), vacinas avançadas e suplementação estratégica, as pastagens permanecem ancoradas em gramíneas do século passado, como as braquiárias tradicionais e o Panicum maximum, cutlivar Mombaça.

Hoje, temos mais de 15 cultivares de gramíneas e leguminosas forrageiras com genética avançada, desenvolvidas pela Embrapa e instituições parceiras. Elas oferecem maior produtividade, qualidade nutricional e resiliência climática.

 

Excelência em gramíneas: as opções do mercado

No grupo das braquiárias, as inovações atendem a diferentes necessidades de solo e manejo.

  • BRS Piatã: ideal para sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) pela facilidade de manejo e qualidade da forragem.
  • BRS Ipyporã: bom valor nutritivo e resistência à cigarrinha Mahanarva.
  • BRS Tupi: para solos arenosos ou de baixa drenagem, supera a Brachiaria humidicola comum em 16,4% de ganho de peso vivo por hectare.
  • BRS Paiaguás: proporciona mais de 45 quilos de ganho animal (peso vivo por hectare) por ano, além de maior acúmulo forrageiro seco.
  • BRS Carinás: tolera solos ácidos com baixos teores de fósforo, oferece rápida cobertura e maior produção de biomassa e folhas por hectare, quando comparada à braquiarinha.

No gênero Panicum maximum, algumas opções são:

  • BRS Tamani: porte baixo, alto valor nutritivo (elevados teores de proteína bruta e digestibilidade), boa produtividade e vigor, ideal para engorda de gado bovino no Cerrado.
  • BRS Zuri: entrega 21,8 toneladas de massa seca por hectare por ano, superando os padrões de mercado em produtividade animal.
  • BRS Quênia: seu porte intermediário e colmos finos facilitam o manejo de pastejo rotacionado e garante maior ganho médio diário (554 gramas por animal por dia).

Complementando as gramíneas, a nova cultivar de andropogon, BRS Sarandi, é recomendada para renovar áreas cultivadas com a antiga cultivar Planaltina. Com porte mais baixo e colmos mais finos, evita o "envaretamento" e facilita o controle do pastejo. Possui maior proporção de folhas (cerca de 60% da matéria seca total) e perfilhamento até três vezes superior, garantindo que animais Nelore atinjam ganhos de peso acima de um quilo por dia durante a estação das água.

 

O papel das leguminosas e os ganhos econômicos

As leguminosas forrageiras atuam como banco de proteína e complementam os pastos por atuarem na fixação biológica de nitrogênio (FBN), reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos. Entre as cultivares modernas, destacam-se:

  • Estilosantes (BRS BelaBRS Campo GrandeBRS Nuno): adaptadas a solos de baixa a média fertilidade e resistentes à seca e ao pastejo.
  • Guandu (BRS Mandarim e BRS Guatã): arbustivo, é indicado para solos degradados.
  • Amendoim forrageiro (BRS MandobíBRS Oquira): oferece cobertura densa contra erosão. Tem alta palatabilidade e proteína.

 

Convite à modernização sustentável

Investir em sementes certificadas e em novas cultivares não é luxo, mas uma estratégia vital para a sobrevivência no mercado. A adoção dessas tecnologias transforma os sistemas de produção.

Para exemplificar os ganhos que essas cultivares levam ao campo, vejamos o desempenho da BRS Zuri. Ela garante mais de 50 quilos de peso vivo por hectare por ano. Ao final de um ciclo de seis anos, isso representa um ganho extra para o pecuarista de R$ 6 mil por hectare, o equivalente a um arroba adicional por hectare.

Já a adoção de consórcio de gramínea e leguminosa, é possível aumentar a lotação do pasto em 20% a 30%, além de diminuir os custos com adubação nitrogenada.

Pecuaristas que diversificam e modernizam suas pastagens produzem rebanhos mais eficientes e garantem lucros estáveis. O Brasil, líder em pecuária tropical, merece pastagens à altura do seu boi moderno.

Os últimos lançamentos de forrageiras da Embrapa será tema de palestra no 11º Dia de Campo Expozebu, uma parceria da Embrapa, ABCZ e Baldan, no dia 27 de abril, com parte da programação do Zebu Connect Day, durante a Expozebu 2026.

 

SERVIÇO

Evento: 11º Dia de Campo Expozebu

Data: 27 de abril de 2026

Horário: 8h às 13h

Local: Estação Experimental Orestes Prata, Uberaba (MG)

Inscrição gratuitas (WhatsApp): (34) 99135-6861 / (34) 99945-1355

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Boletim da Conab identifica queda de preços da maçã em todas as Ceasas analisadas

 

Preço praticado no atacado no último mês caiu na média ponderada em 8,89%. Laranja e mamão também registraram reduções, mas em percentuais mais baixos

Os preços da maçã praticados no atacado tiveram redução de 8,89% na média ponderada no último mês nas principais Centrais de Abastecimento do país. É o que mostra o 4º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado nesta sexta-feira (24) pela Companhia Nacional de Abastecimento. A queda é influenciada pela maior oferta do produto no mercado diante da intensificação da colheita tanto da variedade gala, como da fuji.

Ainda de acordo com o Boletim, a expectativa para a atual safra da fruta é de aumento na produção em relação ao ciclo anterior, uma vez que o inverno do ano passado proporcionou um período prolongado de baixas temperaturas, favorecendo o adequado acúmulo de horas-frio pelas macieiras, fator essencial para a qualidade e a coloração das frutas.

Além da maçã, laranja e mamão também registraram queda nos preços. No mercado da laranja, a redução de 2% na média ponderada das cotações foi verificada mesmo com o registro da proximidade do fim da safra no cinturão citrícola durante o mês de março. Já para o mamão, a Conab verificou queda nos valores de comercialização em várias localidades devido ao aumento da quantidade ofertada da variedade papaya, em especial a fruta com origem no norte capixaba e no sul baiano, e estabilidade oferta do formosa.

Já banana e melancia tiveram elevação nos preços na média ponderada. Para o mercado da banana, as cotações subiram na maioria das Ceasas, com a alta de 10,56% na média ponderada mensal. O aumento ocorre mesmo com maior oferta da variedade prata oriunda de Minas Gerais, de Pernambuco, do Ceará e da Bahia, uma vez que a variedade nanica teve menor quantidade produzida tanto em regiões mineiras, baianas e capixabas, mas, principalmente, na microrregião de Registro (SP) e no norte catarinense, grandes regiões produtoras.

No caso da melancia, o movimento na maior parte das Ceasas foi de elevação tanto dos preços quanto da oferta, com o preço registrando alta de 10,81% na média ponderada ao final do último mês. Mesmo com o aumento da comercialização, entrepostos como de Belo Horizonte e de Campinas também registraram alta das cotações diante da boa demanda local.

Hortaliças – A alface voltou a registrar alta em março, mantendo a tendência observada desde novembro, embora com variações de menor magnitude. Na média ponderada a elevação ficou em 4,93%. O volume de alface em março foi 9,4% inferior ao registrado em fevereiro, fator que contribuiu para a pressão de alta nos preços. Além disso, a demanda manteve-se elevada ao longo do último mês, impulsionada pelo calor ainda presente no período.

Pelo segundo mês consecutivo, o preço da batata apresentou alta. Desta vez, os percentuais positivos foram mais expressivos e ocorreram de forma generalizada entre as Ceasas analisadas, chegando a uma variação positiva de 18,99% na média ponderada. A elevação foi influenciada principalmente pelos menores envios do produto oriundos do Paraná (-22,1%) e da Bahia (-42,4%).

No caso do tomate a alta foi mais expressiva, chegando a 38,83% na média ponderada. Esse aumento nos preços é explicado pelas temperaturas elevadas no final do ano, que aceleraram a maturação do tomate, reduzindo a capacidade de controle da oferta por parte dos produtores. Com isso, ocorreu o esgotamento das áreas em ponto de colheita, fazendo com que a oferta atual se mantenha em níveis inferiores aos observados no final de 2025, o que tem pressionado os preços para cima.

Para a cebola também foi observada alta expressiva e generalizada dos preços em todas as Ceasas analisadas. Na média ponderada, o aumento foi de 52,16% em relação à média de fevereiro. Os envios provenientes de Santa Catarina apresentaram queda de 41,7%, indicando o encerramento praticamente completo da safra 2025/26, abrindo espaço para a entrada da cebola importada.

Após um período de relativa estabilidade desde agosto de 2025, com pequenas oscilações em ambos os sentidos, os preços da cenoura apresentaram forte elevação em março em todas as Ceasas analisadas, sendo que na média ponderada a alta chega a 59,15%. O cenário de menor oferta contribuiu diretamente para a valorização dos preços. Segundo o Boletim, outro fator importante que está relacionado com os maiores preços registrados é o custo do transporte, diante do aumento dos combustíveis..

Exportações – De janeiro a março de 2026, o volume total enviado ao exterior foi de 337 mil toneladas, alta de 12% em relação ao primeiro trimestre de 2025, e o faturamento foi de U$S 378,5 milhões, superior em 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, como indicam os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Destaque – Nesta edição, a seção Destaques das Ceasas aborda a importância da Conab e das Ceasas como incubadoras de capacitação de agricultores familiares no acesso integral a mercados, abrindo oportunidades e criando boas expectativas.

As informações completas sobre preços e comercialização praticados em março nas principais Centrais de Abastecimento brasileiras estão reunidas no 4º Boletim Prohort.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Embrapa Pesca e Aquicultura leva edição gênica e pirarucu defumado à Feira Brasil na Mesa

 



Foto: Eduardo Sousa Varela

Eduardo Sousa Varela - O tambaqui é o principal peixe nativo brasileiro

O tambaqui é o principal peixe nativo brasileiro

Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas/TO) participará da Feira Brasil na Mesa, que acontece de 23 a 25 de abril, na Embrapa Cerrados, em Planaltina/DF. O evento, realizado em comemoração aos 53 anos da Embrapa, valoriza a diversidade dos alimentos brasileiros e reúne vitrines tecnológicas, degustações, cozinha show, rodada de negócios, seminários e trilha pelo Cerrado.

A Unidade apostou em uma participação focada, com duas atrações: a tecnologia de edição gênica, exibida na vitrine tecnológica, e o pirarucu defumado, disponível na programação de degustações. Na vitrine de tecnologias, serão exibidos dois tambaquis em aquário, um sem intervenção e outro submetido à metodologia de edição gênica. O peixe editado apresenta um padrão de coloração único, resultado do bloqueio do gene associado à pigmentação. "O peixe editado é a demonstração do resultado da metodologia. A gente acredita que vai chamar bastante atenção", afirmou Pedro Alcântara, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia do centro de pesquisa de Palmas. Para quem tiver curiosidade sobre o processo, a Unidade estará com pesquisadores disponíveis: "nossa equipe estará atendendo o público que visitar a vitrine", completou Alcântara.

A tecnologia está sendo desenvolvida pela Embrapa Pesca e Aquicultura para pesquisa em edição gênica de peixes tropicais. Segundo o pesquisador Eduardo Sousa Varela, a Unidade já concluiu o protocolo completo de edição gênica para peixes tropicais e utiliza o tambaqui como espécie principal para demonstração. "Vamos demonstrar peixes editados com padrão de despigmentação, um padrão claramente visual de que a engenharia genética foi concluída e que tivemos um efeito satisfatório", explicou. Pedro Alcântara reforça o alcance da tecnologia: "do ponto de vista da edição gênica, vamos demonstrar o potencial que a técnica tem para o avanço genético que precisamos ter, principalmente nas espécies nativas."

Os impactos da tecnologia vão além da estética. A edição gênica abre caminho para a eliminação das espinhas intermusculares do tambaqui, que são tendões calcificados que dificultam o consumo do peixe em filé. "Com esse protocolo, podemos produzir um filé de alto rendimento, sem espinhas, o que abre novos mercados, inclusive de exportação", destacou Varela.

Pirarucu defumado: Na programação de degustações, a Unidade levará lombo de pirarucu defumado, preparado com técnica incrementada pela pesquisadora Viviane Rodrigues Verdolin dos Santos. O processo envolve salga, marinada e defumação a quente com madeira de goiabeira, a uma temperatura entre 50 e 70 graus Celsius, por cerca de três horas e meia. "A goiabeira é excepcional nesse processo porque produz uma fumaça branca e constante, que confere ao peixe cor, brilho e um sabor característico dos defumados", descreveu Viviane.

Para Alcântara, a técnica cumpre um papel duplo: "para o consumidor, é uma oportunidade de apreciar e demandar esse produto. Para o produtor, seja a agroindústria ou o produtor artesanal, é uma técnica acessível que permite valorizar e ampliar o acesso ao mercado." Segundo Viviane, a defumação pode dobrar o valor do produto e representa uma oportunidade para pequenos produtores. "É um nicho de mercado excelente, com potencial inclusive para selos artesanais", avaliou.

 

Serviço:

O que: Feira Brasil na Mesa

Quando: 23 a 25 de abril

Onde: Embrapa Cerrados, em Planaltina/DF

Mais informaçõeswww.embrapa.br/feira-brasil-na-mesa

Embrapa participa de debates, mostra tecnologias e lança publicações na Agrotins

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